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sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Rosa Púrpura do Cairo

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É engraçado perceber como a visão de um filme muda com o passar dos anos. A primeira vez que vi "A Rosa Púrpura do Cairo", filme de 1985 com roteiro e direção do tão adorado Woody Allen, não devia ter mais de 13 anos. Hoje, por razões ainda desconhecidas resolvi assistir mais uma vez já que me lembrava bem pouco do filme. Na verdade a única certeza que tinha é que alguém saia da tela e ia viver no "mundo real". Pois bem, um filme estrelado por Mia Farrow e Jeff Daniels não costuma ser pouca coisa, principalmente quando o roteiro é tão original.
Uma cinéfila em tempos de Grande Depressão sofre com os modos rudes do marido canastrão, perde o emprego por ser desastrada mas não desgruda do assento do cinema. Já conhecida pelo dono do estabelicmento, Cecília ( Mia Farrow) se encanta com um filme sobre ricos entediados que atacados por tédio súbito decidem visitar lugares "excêntricos e românticos" como o Cairo. É na viagem ao Cairo que os ricaços descobrem Tom Baxter(Jeff Daniels), um " explorador,poeta e aventureiro de Chicago", e resolvem levá-lo à Manhatam para um pouco de diversão. O filme era " A Rosa Púrpura do Cairo" e foi assistido pela mocinha sonhadora cinco vezes até o dia que Tom olha dentro dos olhos dela e diz que está apaixonado, saí da tela e vai conhecer o "mundo real". O elenco fica na tela questionando a saída de Tom e o destino do filme enquanto os espectadores,perplexos, exigem reembolso. O ator que deu vida a Baxter no filme, obviamente também interpretado por Jaff Daniels,se chama Gil Shepherd e aparece para convencer sua criação a voltar para as telas, mas conhece Cecília e forma com ela um dos mais bizarros triângulos amorosos da história do cinema.Não considero o marido da protagonista parte do triângulo pois eles já estavam em processo de separação e ela o descarta quando prefere sair com o poeta de chicago a fazer massagem nas costas do cônjuge.
O intrépido aventureiro vindo das telonas se mostra um doce e dedicado apaixonado, divertido com suas indagações sobre a realidade e o livre arbítrio e encontra em Gil um rival a altura.Apesar da postura altiva e egoísta do início, o ator iniciante tem um lado agradável e apaixonado,protagonizando uma cena típica das comédias românticas :um dueto musical no qual Mia toca ukulele e Jeff canta magnificamente.
Depois de encotrar e beijar Gim, Cecília vai ao encontro de Tom, que a transporta para o filme.Eles se divertem como a mocinha nunca imaginou que fosse possível até que Gim reaparece e a convence que é melhor que ela se case com ele para ter uma vida real, já que Baxter não passa de sua atuação atrevida que teimou em ganhar vida.Dividida e muito confusa a garota decide pelo mundo real. Woody Allen não faria um romance tão deslavado com direito a final feliz.É claro que o ator abandona a mocinha de malas feitas.Após briga definitiva com marido e súbita fuga de quem julgara ser seu verdadeiro amor, Cecília vai à estreia do novo filme de Fred Astaire e Ginger Rogers na úlitma cena.
Um filme sobre a Grande Depressão que não pretende mostrar o óbvio já merece meu respeito. Na verdade, Allen por si só já merece o meu respeito, afinal nunca escondi a minha predileção pelo cineasta norte-americano (espero que ainda com hífem). O tom leve e despretensioso não prejudica a reflexão possível sobre a liberdade de escolha dos humanos e também a multiplicidade de interpretação de uma mesma obra,manifestada no caso do filme na autonomia que os personagens conquistam. Muito mais do que uma quase-comédia romântica. De todos os filmes que já produziu, atuou, escreveu, A Rosa Púrpura é um dos favoritos de Allen, e devo confessar, meu também.

domingo, 1 de maio de 2011

I Semana de Maio no Cineclube Carcará

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Metade do período já se foi com mais pessoas do que nunca se sentando nas poltronas do Carcará. Depois do sucesso do vídeo-debate com Rodrigo Mac Niven e Paula Xexéo, diretor e produtora do filme Cortina de Fumaça, respectivamente, o Cineclube Carcará volta à normalidade em maio. Serão três semanas com filmes do Oriente Médio, adaptações do livro de Stieg Larsson e um fã cine do genial Christopher Nolan fechando a programação do mês.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O sentido de O Sentido da Vida

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por Rodrigo Castro


Antes de tudo, o professor Carlos D'Andrea merece uma resposta ao seu comentário na postagem anterior. Não, professor, jamais chegaríamos ao baixo nível de dizer que os Python são o Casseta & Planeta da Inglaterra, como você mesmo deixou claro no seu comentário. Primeiro, por uma questão temporal; segundo, porque não, nunca, jamais. A verdade é justamente o contrário: os comediantes brasileiros claramente se inspiraram no grupo inglês para criar o programa que existe até hoje, e que influenciou também os filmes dos Casseta, como deixaram claro numa entrevista ao site Cinema em Cena. Comparações já foram feitas, e o Casseta & Planeta já foi um tanto melhor do que é hoje. Quem quiser uma crítica um pouco melhor fundamentada comparando o modo de fazer filmes dos Casseta e do Monty Python pode conferir o que Eduardo Valente disse à Revista Contracampo.

Quanto ao último filme da mostra Fã Cine Monty Python, e que também é o último filme feito para o cinema dos Python, O Sentido da Vida, as análises, por mais diferenciadas que sejam umas das outras, tocam sempre num ponto comum: a desagradável surpresa de um filme inconstante. Daniel Dalpizzolo, do Cineplayers.com, é mais enfático e taxativo em sua análise:  incrível como um filme consegue ser tão genial e, ao mesmo tempo, tão decepcionante quanto O Sentido da Vida". Apesar de parecer exagerada, a crítica de Dapizzolo encontra respaldo em diversas outras. O que mais causou espanto sobre o resultado final desta obra de despedida do grupo - despedida cinematográfica, digamos assim, já que os membros encerraram a série em 1974, nove anos antes da estreia do filme - foi o fato de que, como nunca antes houvera, os Python obtiveram financiamento decente para a produção do filme, já que o sucesso da trupe já estava mais do que consolidado. Nos dois outros filmes feitos para o cinema, o grupo mal contou com algum investimento, dependendo de ajuda de fãs como Geroge Harrison. Esperava-se, portanto, que com mais dinheiro fariam a obra-prima pythoniana, e encerrariam de fato o grupo em alto nível.
- A resposta para o sentido
da vida é muito fácil, como
todos bem sabem...


Isso não significa que o filme é ruim, de modo algum. As piadas de humor negro continuam lá, o humor corrosivo, ácido, ainda hoje causam dores na barriga de quem assiste ao filme. Só não superou as expectativas de todos que esperavam uma obra fenomenal. O filme também não possui uma estrutura narrativa muito elaborada em termos de cinema, já que na verdade é uma verdadeira junção de vários sketches que possuem unidade por si só. É como uma compilação, e se se assiste ao meio sem ter visto o começo não há problema, pois são como células independentes. Um dos fatores que provavelmente influenciou negativamente o trabalho foi o fato de os seis integrantes já não estarem se dando tão bem como quando começaram. Rodrigo Carreiro, do Cineplayers.com, explica melhor a situação:
A produção de “O Sentido da Vida”, por causa dos ciúmes e das ambições pessoais do sexteto, seguiu mais ou menos a mesma lógica que o disco Let It Be, dos Beatles. Cada integrante escreveu esquetes cômicos sozinhos. O resultado, altamente previsível, foi um filme engraçado, mas irregular.
Os gênios e seus egos sempre acabam, invariavelmente, se deixando levar pelo caminho fácil do egoísmo. Com suas carreiras consolidades, com a exceção de Graham Chapman, que lutava contra o alcoolismo (que acabou o matando tempos depois), os Python apenas se juntaram para ganhar mais um pouquinho de dinheiro. Acabaram por fazer um filme bom, mas não o que todos esperavam.


O Sentido da Vida será exibido dia 18 de novembro, quinta-feira, às 16h e 18h30min, no Cine Carcará - porão do Centro de Vivências da UFV.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vida longa ao nosso Salvador, Brian

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por Rodrigo Castro

Filmes sobre religião e sempre causam polêmica. Dogma, Jesus Camp, A Paixão de Cristo e até mesmo O Código da Vinci são alguns dos inúmeros exemplos sobre o tema. A Vida de Brian, produzido por Terry Jones em 1979 - o quarto filme dos Python -, não poderia ser diferente. Entre acusações de blâsfemia pela própria produtora inicial do filme (EMI, que acabou desistindo do projeto, posteriormente financiado pelo beatle George Harrison) e aplausos calorosos dos fãs, o filme retrata uma história muito familiar a todos: um messias atrapalhado é seguido por diversas pessoas fanáticas, que prestam-lhe homenagens e reverenciam suas frases "proféticas". Lembrou de alguém (ou alguens)?

- Oh...my...God!
O crítico do site CineRepórter, Rodrigo Carreiro, não poderia ter sido mais eficaz ao descrever o filme: "'A Vida de Brian' é um dos filmes mais engraçados jamais produzidos na história do cinema." Opinião isolada? Definitivamente, não. O filme foi eleito a melhor comédia de todos os tempos do cinema numa pesquisa feita pelo Channel Four do Reino Unido. George Harrison, que ajudou a tirar o filme do papel, faz até uma ponta no filme como o Sr. Papadopolous. Precisa de mais? O fato é que A Vida de Brian vai muito além de uma simples sátira à religião cristã, como diz Carreiro em sua crítica - ele perpassa todas as religiões, além da política, a história da humanidade e o próprio cinema, sem esquecer, é claro, do humor incomparável dos Python.
Antes de terminar, duas curiosidades muito interessantes: a) os seis integrantes da trupe do Monty Python interpretam simplesmente 40 papeis diferentes no filme; e b) o filme foi inspiração para a criação de um prêmio de cinema que foi entregue em Veneza, durante o Festival de Cinema de Veneza, o Prêmio Brian, que foi entregue ao filme mais racional/ateísta que estivesse competindo no Festival.

Abaixo você confere a crítica de Anthony Oliver Scott (em inglês), do New York Times, sobre o filme A Vida de Brian, reproduzida do site Uol Mais.
A Vida de Brian será exibido dia 11 de novembro, quinta-feira, às 16h e 18:30h, no Cine Carcará - porão do Centro de Vivência da UFV.

Fã Cine Monty Python

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por Rodrigo Castro


O que esperar de uma série que influenciou desde Douglas Adams, autor d'O Guia do Mochileiro das Galáxias, até Trey Parker (bio em inglês) & Matt Stone (bio em inglês), criadores do desenho-mega-sucesso-politicamente-incorreto South Park? T-u-d-o! Monty Python, cujo primeiro episódio foi ao ar em 5 de outubro de 1969 na televisão britânica como parte do show de sketches do Monty Python's Flying Circus, ainda hoje encanta e anima o público em todos os cantos do mundo. A série durou, na TV, 45 episódios em 4 temporadas, e virou verbete nos dicionários de língua inglesa: pythonesque. O grupo original era formado por Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e Terry Jones, além de Terry Gilliam, cartunista da revista Mad - que inclusive tem uma edição brasileira.

A escolha de Monty Python para o Fã Cine do mês se deveu principalmente à versatilidade do grupo. Se no Fã Cine de outubro homenageamos uma dupla, fato por si só já muito relevante, dessa vez optamos por uma espécie de coletivo de arte cujo sucesso extrapolou as telas das TVs do Reino Unido. Além do cinema, com alguns filmes que você poderá assistir este mês no Carcará, os Pythons, como também são reconhecidos, fizeram e fazem sucesso também no teatro, com um musical montado na Broadway desde 2005, além de álbuns de música com diversos temas da série. Os Phytons ficaram eternizados pelo humor ácido e inteligente, as finíssimas ironias com tudo e todos, além de todo o aspecto non-sense e absurdo de suas produções.

Você pode assistir aos dois filmes em exibição no Carcará no dias 11 e 18 de novembro. A Vida de Brian será o primeiro, dia 11, às 16h e depois às 18:30h; na semana seguinte, dia 18, O Sentido da Vida, nos mesmos horários. O filme Em Busca do Cálice Sagrado também foi exibido, no dia 4 de novembro.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Barton Fink , um homem em luta contra o sistema

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por Thiago Alves



Em Barton Fink o estilo de Ethan e Joel Coen continua nos oferecendo o melhor de Hollywood. Os irmãos que deixaram o status de surpresa promissora em 1984 com o lançamento de “Gosto de Sangue” passam a integrar definitivamente o seleto grupo dos cineastas consagrados com a história do dramaturgo novaiorquino Barton Fink, que em 1941 é badalado na Broadway e adorado por toda a imprensa. Suas peças retratam o cidadão comum; ele é o homem do “povo”, o escritor da verdade. Seu gênio no teatro o faz receber uma proposta milionária. Sua missão: escrever para aquele que era o centro da sua dramartugia e não para o homem extraordinárioIsso decepciona sua ambição. Mas aceita a tarefa e se isola em um hotel de segunda categoria para escrever um filme sobre luta livre.

Barton é o personagem habitual dos irmão Coen, aquele que não consegue lidar com o sistema. Está sempre em luta. Aqui não se fala abertamente em política. O próprio filme é o sistema inimigo do roteirista. Ele não consegue dominá-lo. Durante o isolamento no hotel, ele se vê tomado por tal bloqueio que não consegue avançar uma linha do roteiro. Seu vizinho de quarto Charlie Meadows, um amigável vendedor de seguros, passa a ajudá-lo em uma curiosa amizade cercada por acontecimentos bizarros e um surpreendente envolvimento em um assassinato que deixam Barton no total desespero.

Aqui está a quintessência da construção da estrutura dos Coen: Barton Fink não se entende com o roteiro. Não compreende as regras do jogo nem aceita que elas existam para o gênero cinematográfico. Lidar com órfãos excepcionais, uma viúva indefesa e um lutador de luta livre é pior que ler qualquer clássico. E para ele Hollywood é um inferno. Percebe-se como ele sofre com o calor durante todo o filme. A crítica dos Coen é implacável.

A história de Barton faz paralelo com a do inigualável Orson Welles, diretor do filme que ele gostaria ter feito: Cidadão Kane, também lançado em 1941. Outro que contribui com sua história real é William Faulkner. Nos anos 1940, Faulkner realmente foi contratado em Hollywood para fazer um filme de luta livre, e fazia tudo a contragosto, pelo dinheiro, louco de vontade de retornar logo aos romances.

Vale pena ver este clássico dos irmãos Coen que foi a primeira produção na história a faturar no mesmo ano os três principais prêmios em Cannes (filme, direção e ator). Também surpreendeu ganhando a pecha de filme de arte em uma época em que os filmes hollywoodianos eram solenemente desprezados pelos amantes do cinema não-comercial, além de ter tido três indicações ao Oscar.

Barton Fink é parte do Projeto Fã Cine e será exibido dia 29 de outubro, sexta-feira, às 16h e às 18:30, em sessões comentadas, no Cine Carcará - porão do Centro de Vivência da UFV.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Caça ao tesouro em Minnesota - Fã Cine Irmãos Coen

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por Rodrigo Castro

E, mais uma vez, os Irmãos Coen exibem toda a força de seu humor ácido e diálogos bem feitos em Fargo, que ganhou o subtítulo português Uma Comédia de Erros (sabe-se lá porque). A história de um marido que planeja o rapto da própria mulher para arrancar dinheiro do sogro devido a um motivo não explicado é conhecida por muita gente, e costuma acabar mal. Em Fargo não é diferente: o marido, por algum motivo não explicitado, arma o sequestro de sua mulher, a fim de tentar conseguir dinheiro com o sogro - ele repassaria parte do dinheiro do resgate do falso sequestro para os bandidos, e ficaria com o restante -, e, no final das contas, acaba mal. Não só para o marido, mas para todo mundo. E isso é o grande trunfo do filme, que junta um tema delicado, sério, e que causa indignação em muita gente, e o típico humor dos Irmãos, que chegam mesmo a ridicularizar alguns aspectos do tema - e causam risos abertos de situações que, normalmente, não tem a menor graça. Não é novidade para quem assiste a filmes dos Coen: em E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, os cineastas escracham a imagem da Ku Kux Klan, organização racista que ainda atua nos EUA, e que teve seu auge na década de 1920 naquele país.

Joel e Ethan Coen são velhos adeptos da montagem invisível do Cinema, deixando para o roteiro cuidar de toda a genialidade de seus filmes (o que não significa que não há boas jogadas com a câmera, como pode-se comprovar em várias cenas de Fargo e E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?). Como assinam os próprios roteiros que filmam, os Coen demonstram toda a força e talento que possuem nos diálogos dos filmes, juntamente com trilhas sonoras muito bem encaixadas, além dos efeitos especiais e outros elementos que compõem a feitura da obra. E, acima de tudo, são grandes brincalhões: já no início do filme aparece um texto em que afirmam ser o filme uma história real, do qual os nomes verdadeiros dos personagens foram trocados em respeito aos mortos nos episódios - tudo como manda o script de produções desse tipo. Foi, nas palavras dos próprios diretores, uma mentira: "Nós pensamos que as pessoas nos permitiriam fazer coisas que geralmente não permitem em filmes ficcionais, pois tudo o que estaria na tela seria justificado pelos 'fatos reais'". Na mesma entrevista para o blog The Hollywood Interview os diretores contam sobre a reação de dois extremos do público de Minnesota: alguns gostaram e se consideravam numa posição privilegiada para apreciar o filme, enquanto outra parte considerou o filme exagerado e cruel.

O grande perdedor Jerry, que não
consegue nem mesmo forjar o 

sequestro de sua mulher
O que torna Fargo um filme único é a composição dos personagens, altamente complexos em toda a sua simplicidade, além da fidelidade dos sotaques e expressões regionais - o que inclusive, na opinião de Pablo Villaça, é um empecilho para a aceitação do filme entre o público brasileiro. Os personagens são pessoas comuns: um vendedor de carros que trabalho na loja do sogro (que é rico e pouco se importa com a situação do genro) que é um grande perdedor, daquelas pessoas para quem nada dá certo, tudo conspira contra o seu sucesso. A mulher do vendedor é uma típica dona-de-casa, faz seus serviços cuidando da casa e assiste à TV no tempo livre. Os sequestradores formam uma dupla que não se dá muito bem, sendo que um é extremamente calado, do tipo que "fala" por suas ações (o que pode ser entendido por matar pessoas), e o outro fala, de fato, além do limite. A atuação que foi mais aclamada coube a Frances McDormand, que merecidamente levou o Oscar de Melhor Atriz, em 1997. Além de Frances, que é mulher de Joel Coen e participou de diversos filmes dos Irmãos, o elenco é um show a parte: Steve Buscemi, William Macy e Peter Stormane são alguns dos grandes nomes desta obra-prima.

Uma curiosidade interessantíssima: graças à brincadeira de Joel e Ethan sobre o filme ser baseado em fatos reais, surgiu uma lenda urbana nos EUA de que as pessoas foram ao estado de Minnesota em busca da maleta de dinheiro que o sequestrador enterra numa determinada cena do filme.

Fargo será exibido dia 15 de outubro, sexta-feira, às 16h e às 18:30, em sessões comentadas, no Cine Carcará - porão do Centro de Vivência da UFV.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sem descanso nos feriados

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por Rodrigo Castro


O Carcará não descansa nos feriados, e por isso nessa sexta já começamos a programação de Outubro, que terá uma peculiaridade: duas mostras Do Livro às Telas, homenageando dois gênios da literatura: aos sábados, a partir do dia 9 de outubro, Fiódor Dostoiévski e suas obras-primas darão um toque de existencialismo ao cinema. As adaptações de quatro livros do russo serão exibidas sempre às 17h; e aos domingos, a partir do dia 17 de outubro, J. R. R. Tolkien, criador do épico moderno O Senhor dos Anéis, com exibições das versões estendidas dos filmes às 13:30h.


Nas quintas de outubro volta ao Carcará a mostra Cine Volta ao Mundo, com oito filmes de diversos países - portanto, fique atento para não confundir dias e horários, pois a mostra começa no próximo dia 7! Argélia, Bélgica, Peru e até o Vietnã foram alguns dos países contemplados pela mostra. Destaque para o filme Caçado, da Coréia do Sul, muito aclamado em todos os cantos do planeta. 


Jeff Bridges,
o Grande Lebwski
Nas sextas, e já começando dia 1º - depois de amanhã, um Fã Cine há muito tempo desejado pela equipe que monta a programação do Carcará: Joel & Ethan Coen e seus fantásticos filmes são os homenageados do mês. Dentre os escolhidos, não deixe de assistir a O Grande Lebowski, que conta no elenco com Jeff Bridges em alta performance, além de ter se tornado um grande clássico do Cinema.


Nos sábados, começando no dia 9, uma mostra fantástica de um dos maiores escritores da história da literatura mundial: Do Livro às Telas - Fiódor Dostoiévski, começando com Crime e Castigo, um dos livros mais conhecidos do escritor e dirigido por Aki Kaurismäki, da Finlânfia, passando por O Idiota, adaptado pelo consagrado diretor japonês Akira Kurosawa, e Os Possessos, uma releitura da obra Os Demônios por parte do aclamado polonês Andrzej Wajda, até chegar à obra-prima de Dostoiévski, um dos maiores livros de todos os tempos: Os Irmãos Karamazov, que ganhou uma adaptação livre de Petr Zelenka (bio em inglês no Wikipedia), da República Tcheca, no filme Karamazov, nossa indicação desta mostra imperdível.


"Venha ver nós no Cine Carcará..."
Aos domingos, outra mostra Do Livro às Telas. A trilogia de O Senhor dos Anéis, criação de J. R. R. Tolkien, um verdadeiro épico, contará com as adaptações de Peter Jackson (bio em inglês no IMDb) para o cinema em suas versões estendidas - prepare-se para uma verdadeira maratona nos domingos, a partir do dia 17, pois cada filme tem mais ou menos três horas de duração (o último, na verdade, tem quase quatro). E não deixe de conferir também os filmes da Segunda Trash, que este mês será uma homenagem ao mês das crianças, com filmes que aterrorizavam as nossas vidas no fim da década de 1980 e começo da de 1990. Além disso, o Projeto Psicocine já está em seu quarto filme da mostra Encarcerados, e você pode conferir no blog do projeto mais informações sobre a mostra.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mostra Especial de Aniversário - III Semana

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por Rodrigo Castro


"Todos os filmes são políticos." É assim que Konstatinos Gravas - ou, como é mais conhecido mundo afora, Costa-Gravas (bio em inglês no IMDb) - define o Cinema. O cineasta grego abre a terceira semana da mostra especial de setembro no Carcará com o filme Z, e é reconhecido mundialmente por seus filmes-políticos - conceito que, como se vê, não se encaixa ao diretor. Em entrevista no ano passado à Folha de S. Paulo, Costa-Gravas defendeu o incentivo governamental ao Cinema em cada país, mas sabe das ressalvas: "Desde seu nascimento, o cinema teve papel importante na sociedade, na formação da sensibilidade das pessoas [...]. Ele desempenhou um papel negativo na década de 30, na Rússia de Stalin e durante a Guerra Fria, em Hollywood, porque manipulou os espectadores e divulgou uma ideologia que não era a do cinema livre."
Z será exibido nesta quinta-feira, 401, nos horários de sempre: 16h e 18:30.

Na sexta-feira, dia 17 de setembro, é a vez de mais um cineasta marginal mostrar seu talento nas telas do Carcará. A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla (bio no Wikipedia), será exibido às 16h e às 18:30h. Sganzerla foi parceiro e amigo de Glauber Rocha e Julio Bressane, entre outros cineastas da época. E sobre o filme em questão, você pode conferir a opinião de Ruy Gardnier, da Contracampo - Revista de Cinema, para quem "raros filmes têm o dom de ficar mais contemporâneos com o tempo. A Mulher de Todos é um deles."

Por fim, como já vem acontecendo todos os sábados, Alfred Hitchcock (bio em inglês no IMDb) fecha a semana com mais um clássico do suspense: Janela Indiscreta, filme de 1954 e 112 minutos de duração. O elenco conta com a presença marcante de James Stwart, que se tornou um grande parceiro de Hitchcock em diversos filmes. Uma curiosidade marcante do filme é o fato de que todos os sons pertencem ao mundo do próprio filme - o chamado som diegético -, ou seja, as músicas, as falas e todos os outros sons foram captados durante as gravações. Janela Indiscreta é um clássico voyeur, já que utiliza muito bem o cenário em companhia do enredo, fazendo do público parte ativa do filme. Rodrigo Cunha, em crítica publicada no site CinePlayers.com, enfatiza que o maior mérito do filme é "o modo com que tudo foi apresentado, nos colocando na mesma perspectiva do personagem, descobrindo as coisas com ele, nos levando a querer bisbilhotar o que acontece em volta também."

Bom divertimento, e não perca a última semana da mostra!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mostra Especial de Aniversário - II Semana

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por Rodrigo Castro

Os 41 anos do Carcará não poderiam ser comemorados de forma melhor: uma grande homenagem aos grandes sucessos do ano de 1969. Se no ano passado dedicamos um mês inteiro a quatro décadas de paixão pelo cinema, chegou a vez dos clássicos da sétima arte que marcaram o ano de fundação do cineclube serem exibidos neste nobre espaço.
A mostra começou na última quinta-feira com Sem Destino, dirigido por Dennis Hopper, e seguiu com o aclamado O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro - conhecido no exterior simplesmente por Antônio das Mortes, de autoria de um dos maiores cineastas do mundo, o baiano Glauber Rocha. No sábado, Quando Fala o Coração, do mestre do suspense Alfred Hitchcock, que, não podemos esquecer, é o homenageado do mês do Projeto Fã Cine, fechou a primeira semana de exibição.

A segunda semana não deverá nada em questão de qualidade à primeira. Butch Cassidy abre a quinta-feira internacional de filmes de 1969, um clássico de faroeste estadunidense, que conta com uma dupla de protagonistas extraordinária: Paul Newman (bio em inglês), um dos maiores nomes do gênero western e falecido há dois anos, e Robert Redford (bio em inglês), criador do maior festival de filmes independentes do mundo, o Sundance Film Festival.
Na sexta-feira, dando sequência aos filmes brasileiros de 1969, Matou a Família e Foi ao Cinema, de Julio Bressane. Bressane é um dos grandes nomes do cinema marginal brasileiro, e na década de 1970 fundou uma produtora de filmes de baixo orçamento juntamante com Rogério Sganzerla. O filme conta com Renata Sorrah no elenco, uma das maiores atrizes do cinema e da tevê brasileira.
Por fim, encerrando a segunda semana especial, O Festim Diabólico, dirigido pelo incomparável Alfred Hitchcock (bio em inglês), será exibido no sábado. De acordo com a página dedicada ao filme no Internet Movie Database, este foi o único trabalho em que James Stwart, um dos grandes atores parceiros de Alfred Hitchcock, se sentiu insatisfeito, pois considerou o papel inadequado.
Bom divertimento

sábado, 19 de junho de 2010

Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009)

Duração: 2h08min
Sinopse: Há 14 anos, o cineasta Mateo Blanco sofreu um trágico acidente de carro, no qual perdeu simultaneamente a visão e sua grande paixão, Lena. Sofrendo aparentemente de perda de memória, abandonou sua posição de cineasta e preservou apenas seu lado de escritor, cujo pseudônimo é Harry Caine. Um dia , Diego, filho de sua antiga e fiel diretora de produção, sofre um acidente, e Harry vai em seu socorro. Quando o jovem indaga Harry sobre seus dias de cineasta, o amargurado homem revela se lembrar de detalhes marcantes de sua vida e do acidente. (Fonte: Interflmes)
Dirigido por: Pedro Almodóvar
Trailer:


Exibições: 24/06/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 12 de junho de 2010

Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, 1988)

Duração: 1h29min
Sinopse: Em Madri, Pepa Marcos, uma atriz que está grávida mas ninguém sabe, é abandonada por Ivan, seu amante, e se desespera tentando encontrá-lo, pois deseja que ele lhe explique por qual motivo a deixou. Enquanto tenta falar com ele recebe a visita Candela, uma amiga que se apaixonou por um desconhecido e agora que descobriu que ele é um terrorista xiita teme ser presa. Mais tarde chega ao apartamento Carlos, o filho de Ivan. Ele está acompanhado de Marisa, sua noiva, pois os dois estão procurando um imóvel para alugar. Marisa, sem saber, bebe um gaspacho cheio de soníferos, que Pepa tinha preparado para Ivan, mas uma confusão realmente acontece quando fica claro que Ivan vai para Estocolmo com Paulina Morales e Lucia, a mulher de Ivan, planeja matá-lo. Apesar de ter sido preterida, Pepa quer fazer de tudo para salvar a vida de Ivan. (Fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por: Pedro Almodóvar
Trailer:


Exibições: 17/06/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 5 de junho de 2010

Tudo Sobre a Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999)

Duração: 1h41min
Sinopse: No dia de seu aniversário, Esteban ganha de presente da mãe, Manuela , uma ida para ver a nova montagem da peça "Um bonde chamado desejo", estrelada por Huma Rojo. Após a peça, ao tentar pegar um autográfo de Huma, Esteban é atropelado e termina por falecer. Manuela resolve então ir de encontro ao pai, que vive em Barcelona, para dar-lhe a notícia, quando encontra no caminho o travesti Agrado, a freira Rosa e a própria Huma Rojo. (Fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por: Pedro Almodóvar
Trailer:

Exibições: 10/06/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 22 de maio de 2010

O Anticristo (AntiChrist, 2009)

Sinopse: Casal devastado com morte do único filho muda-se para uma casa no meio da floresta para superar o episódio. Mas os questionamentos do marido, psicanalista, sobre a dor do luto e o desespero de sua esposa desencadeiam uma espiral de acontecimentos misteriosos e assustadores. E as consequências dessa investigação psicológica são as piores possíveis. (Fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por: Lars Von Trier
Trailer:

Exibições: 27/05/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 15 de maio de 2010

Dogville (2003)

Sinopse: Estados Unidos, anos 30. Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace, uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison, o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.
Dirigido por: Lars von Trier
Trailer:

Exibições: 20/05/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 8 de maio de 2010

As 5 Obstruções (Five Obstructions, 2003)

Sinopse: O filme é um documentário, mas encorpora longas seções de filmes experimentais produzidos pelos cineastas Lars von Trier e Jørgen Leth. A premissa é que o primeiro criou um desafio para o segundo: refazer The Perfect Human (1967) cinco vezes, cada vez com uma diferente 'obstrução' (ou obstáculo).
Dirigido por: Lars von Trier
Trailer:

Exibições: 13/05/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 1 de maio de 2010

Os Idiotas (Idioterne, 1998)

Sinopse: Grupo de amigos formam uma sociedade a parte, dedicada a explorar todos os aspectos da idiotice como valor de vida. (Fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por: Lars Von Trier








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Exibições: 06/05/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 24 de abril de 2010

Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack and Miri Make a Porno, 2008)

Sinopse: Zack Brown (Seth Rogen) e Miriam Linky (Elizabeth Banks) são amigos há muito tempo, sendo que atualmente dividem uma casa e possuem diversas dívidas. Após terem a água e a luz cortadas, eles resolvem fazer um filme pornô caseiro para conseguir algum dinheiro. Desta forma selecionam alguns amigos para ajudá-los, jurando que o sexo não irá prejudicar a amizade existente. Só que, quando as gravações começam, o negócio se torna algo bem maior do que imaginavam. (Fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por: Kevin Smith
Trailer:

Exibições: 29/04/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 17 de abril de 2010

Dogma (1999)

Sinopse: O mundo corre o risco de desaparecer. Tudo por causa de Bartleby (Ben Affleck) e Loki (Matt Damon), dois anjos expulsos do céu e que querem retornar a qualquer custo. Para tanto, eles têm um plano: cruzar o portal de uma igreja em Nova Jersey para, absolvidos de seus pecados, poderem retornar ao paraíso. Só que tal ato provaria que Deus é falível e, como consequência, a realidade se desmancharia. Para evitar que a tragédia ocorra é formada uma equipe de combate aos anjos: a última descendente de Jesus Cristo (Linda Fiorentino), um 13º apóstolo negro (Chris Rock), dois profetas (Jason Mewes e Kevin Smith) e uma Musa Inspiradora (Salma Hayek). (fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por: Kevin Smith
Trailer:

Exibições: 22/04/2010 | 16:00 e 18:30

sábado, 10 de abril de 2010

O Balconista (Clerks, 1994)

Sinopse: Um dia surrealista na vida de Dante, um balconista de loja de conveniência que vive às voltas com duas namoradas, um colega cínico e uma série de excêntricos clientes. (fonte: Adoro Cinema)
Dirigido por:  Kevin Smith
Trailer:

Exibições: 15/04/2010 | 16:00 e 18:30