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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Infância

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Outubro é o mês das crianças, e por isso, o cineclube Carcará apresenta uma mostra dedicada à infância. Serão exibidos seis filmes, nos dias 20, 22 e 23 de outubro, às 15 horas, no Auditório da Biblioteca Central da UFV (BBT-UFV), que retratam de formas diferentes este período importante para a formação psicológica do ser humano.


O filme brasileiro dirigido por Cao Hamburger, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, inaugura o evento, no dia 20, mostrando a vida de um garoto que ao ter seus pais exilados do país deve ir morar com seu avô paterno. No entanto, este morre, e Mauro acaba residindo na casa de um velho e solitário judeu. Bem aceito pela crítica, o longa demonstra o caráter sonhador das crianças, assim como as diferenças entre gerações e culturas.


Após a produção brasileira, o longa-metragem americano Gummo, dirigido por Harmony Korine, demonstra a vida de diferentes crianças em um subúrbio de uma pequena cidade. Marcado por sua atmosfera estranha e imagens chocantes, o filme apresenta cenas paralelas que, em comum, representam uma infância problemática e sem a presença dos pais.


A mostra  segue no dia 22, também às 15 horas,  trazendo a questão da sexualidade durante a infância. Tomboy exibe, em suas primeiras cenas, um garoto bem-relacionado com seus pais e irmã. Porém, com o decorrer do filme, percebe-se que o protagonista trata-se de uma menina. Dirigido por Céline Sciamma, o longa-metragem demonstra bem e propõe um debate a respeito dos papeis sexuais quando se é criança.


Logo em seguida será exibido Os Incompreendidos, grande filme de François Truffaut, com a história da infância de Antoine Doinel, alter ego do próprio diretor. O comportamento rebelde do garoto é tratado no longa-metragem como reflexo de sua carência pelo carinho e atenção dos pais, que o desprezam e negligenciam em razão de seu péssimo rendimento escolar.


No ultimo dia da mostra, 23, Precisamos Falar Sobre o Kevin exibe os conflitos entre mãe e filho. O filme se trata de uma adaptação, feita pela diretora Lynne Ramsa, afetada do contido livro de Lionel Shriver. Suas cenas tensas contam aos poucos a história de Eva e seu complicado filho primogênito Kevin.


Para encerrar, segue em sequencia o filme de Wes Anderson, Moonrise Kingdom, que conta a história de Sam e Suzy, duas crianças que se sentem deslocadas em meio as pessoas de uma pequena ilha localizada na costa da Nova Inglaterra. O longa-metragem se trata de um típico filme do diretor, com um humor irônico e belas cenas.

Divirta-se!

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mostra dos Sonhos

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Matéria-prima da psicologia moderna e inspiração para antiquíssimas crenças, mitologias universais e diversas expressões artísticas, os sonhos são o tema da próxima mostra do Cineclube Carcará, a ser realizada nos dias 15, 17 e 18 deste mês de setembro.




Às 15h do dia 15, começamos com o curta-metragem Um Cão Andaluz (Un Chein Andalou). Estreia de Luís Buñuel como diretor, o filme foi lançado num período de crise da razão e ápice das vanguardas europeias, em 1928. Bem ao gosto do surrealismo, apresenta uma sucessão de imagens extraídas de sonhos do próprio Buñuel e de Salvador Dalí, rompendo com toda a lógica e linearidade da narrativa comum.




Em seguida, ainda no sábado, vamos exibir Sonhando Acordado (La Science des Rêves), de 2006, dirigido por Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças). Stephane Miroux frequentemente não consegue enxergar os limites entre sonho e realidade. Quando dorme, torna-se o apresentador do programa "Stephane TV", em que explica sua "ciência dos sonhos" na frente de câmeras de papelão. Na vida real, enfrenta relações não menos confusas com a vizinha Stephanie e sua amiga Zoé, além de um trabalho entediante numa editora de calendários.




A mostra volta na segunda-feira, dia 17, às 15h, com Paprika (Papurika, 2006) de Satoshi Kon. Dr. Tokita inventa um aparelho que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. No entanto, antes de seu uso ser legalizado, ele é roubado. Enquando vários pesquisadores do laboratório começam a enlouquecer e a sonhar em estado de vigília, Paprika tenta descobrir quem está por trás de tudo isso.




Logo depois, às 16h45, seguiremos com Quando Fala o Coração (Spellbound), dirigido por Alfred Hitchcock e lançado em 1945. Nele, Dr. Murchison é afastado do seu cargo em um hospital psiquiátrico por problemas de saúde. Seu substituto é o jovem dr. Edwards, que logo começa a levantar suspeitas acerca de sua identidade. Um estranho sonho, cuja representação teve a contribuição de Salvador Dalí, é uma das pistas para a solução desse suspense.




Na terça-feira 18, também às 15h, encerramos com Sonhos (Yume, 1990), de Akira Kurosawa, um filme dividido em oito sonhos que o próprio cineasta teve em distintos momentos de sua vida, representados em belas imagens.

Bom proveito e bons sonhos!


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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Retornar das cinzas - de novo, e de novo...

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Não, caríssimos, vocês não leram errado. Depois de sete meses de ostracismo que pareciam que não iam acabar mais, o Carcará finalmente conseguiu descolar um local adequado para exibir filmes, já que a sala de video-conferências da BBT - nossa última experiência de exibição - não tem a menor estrutura para que se deixe fruir um bom exemplar da Sétima Arte.

Mas deixemos isso para trás. Não foi a primeira e não será a última vez que o Carcará terá suas atividades interrompidas, seja por qual for o motivo - aliás, a história do Cineclube é marcada por algumas paralisações devido a diversos fatores, externos e internos. Agora, o que importa é que vocês terão a oportunidade de assistir aos filmes novamente - e o melhor: o processo de curadoria continua tão apurado quanto antes.

Ainda que não seja nosso bom e velho cinema do porão do Centro de Vivência, o Auditório da Biblioteca Central (BBT) é bem estruturado para o que queremos - e o que queremos é muito simples: voltar às atividades cotidianas. Também é claro que não manteremos o ritmo alucinante de quase um filme por dia, o que nos causava alguns transtornos acadêmicos, mas era (e continuará a ser, pois o cinema, um dia, vai voltar) absolutamente gratificante. As exibições serão mais pontuais, e a própria organização de mostras será rediscutida para caso dê certo exibir os filmes temporariamente na BBT.

Portanto, anotem: 16 de junho (sábado), às 14h, no Auditório da BBT.

E finalmente, depois dessa introdução sobre esses novos-esperamos-curtos tempos, vamos ao que interessa:


Uma volta sempre precisa ser marcante, tanto quanto uma estreia. É preciso deixar claro ao público que ao voltar pretende-se permanecer - é necessário garantir que agora é pra valer, mesmo sabendo que a imprevisibilidade do futuro pode nos causar muitos problemas.

Para voltar, então, nós escolhemos dois filmes extraordinários.

O Artista venceu cinco Oscars em 2012, todos nas categorias mais cobiçadas: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Ator e Atriz.


O filme é uma homenagem ao próprio cinema, principalmente à época de ouro hollywoodiana do cinema mudo (ou silencioso, como tem sido chamado), e usa da metalinguagem do início ao fim. Ao final, revela-se uma produção tocante, pelo tema em si, e ousada, já que Michel Hazanavicius fez uma aposta que a princípio pode parecer uma insanidade - afinal, não foram poucos os comentários de pessoas que jamais veriam, em pleno 2012, século XXI, terceiro milênio, um filme preto-e-branco e, ainda por cima, mudo (para mais detalhes, leia a crítica de Pablo Villaça, do Cinema em Cena)

Paris, Texas, é uma produção do cultuado cineasta alemão Wim Wenders. Venceu um dos prêmios mais cobiçados do universo do cinema, a Palma de Ouro em Cannes, no ano de 1984. Só isso já bastaria para o filme ser considerado um clássico, levando-se em consideração o alto nível das produções que costumam aparecer no festival francês.


O filme engloba uma bela história do enredo dos roteiristas Kit Carson e e Sam Shepard e a direção magistral de Wenders, retratando em belíssimos planos o deserto texano contrapondo-se ao desenvolvimento acelerado de Houston - tudo em sintonia com o drama familiar que se passa na telona (não perca a crítica de Luiz Carlos Oliveira Jr., da Contracampo)

Bom divertimento a todos, e que o Carcará possa voar cada vez mais alto!